Sim, vou escrever. Vou escrever porque quero, porque sinto essa necessidade. Não vou deixar mais que a esta pressão interior me aterrorize inconscientemente. Porque agora sim, tenho consciência dela. Esta insegurança parva, que eu tento sempre esconder com máscaras inúteis. Esta insegurança que se me transparece sempre que quero escondê-la do mundo.
Ele não é melhor que eu. Tal como ninguém é melhor que ninguém. Somos todos apenas diferentes. A mente é poderosa, grande, complexa. Se não for treinada, acabam por crescer imensos ruídos e teias de aranha, nos locais mais inesperados de sempre. Locais onde nós achamos que tal nunca acontecerá. Mas quando nos damos conta, aconteceu.
Não posso deixar que as aranhas dentro de mim continuem a construir as suas teias que tanto impedem a circulação do meu pensamento. Tenho de limpar o pó, bem limpo. Tenho de voltar a escrever.
Por outro lado, escrever é pensar. E talvez eu não consiga escrever, porque provavelmente há sempre demasiada informação e demasiadas reflexões, das quais eu, na maior parte das vezes, nem sequer tenho consciência da sua presença, que me impossibilitam de conseguir formar um raciocínio coerente que consiga passar para o papel. Escrever é ter consciência desses todos mini-pensamentos que nos vêm à cabeça em todos os diferentes segundos do nosso quotidiano.
Talvez não seja a existência de teias de aranha nos recantos mais inóspitos do nosso cérebro, mas sim a quantidade exagerada, salvo seja, de choques e de reacções químicas que lá se passam, processando infinitos pensamentos, num ciclo simbiótico, sem fim, que me bloqueiam o racional e o consciente que possivelmente tenho.
Neste momento não consigo pensar em mais nada, a não ser no próprio processo de pensar.
Bem, já é alguma coisa.