Hoje, a partir de uma certa altura, só desejava chegar a casa ou a um sítio sossegado e poder organizar os meus pensamentos.
É o que dá quando se está a maior parte do seu tempo sozinha. Pensa-se muito. Normalmente tento evitar pensar, porque isso só me traz amarguras. Muitas vezes prefiro viver segundo um estado dormente e ideal em que sou feliz. Mas hoje não. Hoje pensei. E foi de tal maneira que, tantos eram os pensamentos que de repente me assaltavam a cabeça, que tive de fazer um enorme esforço para me concentrar em cada um deles e desenvolve-los de forma coerente.
Não sei por onde começar, por isso vai ao calhas.
Primeiro, não entendo como é que o meu curso, nomeadamente a minha turma, está tão cheia de gente tão oca, e tão desprovida de inteligência. Gente que não consegue fazer um raciocínio de lógica tão básico como os que fazemos diariamente.
Depois, não entendo como é que as pessoas vão tirar um curso superior, sem terem a noção de que o estão, realmente, a fazer.
É verdade que o meu curso não é como o do Técnico, que te obriga a disponibilizar todo o segundo do teu dia e todo o neurónio do teu cérebro a trabalhar para aquilo e para mais nada. Aliás, foi por isso que eu saí de lá. Porque não estava disposta a isso.
Porque adoro comunicar, adoro conhecer diferentes pessoas, e aprender com elas! Não me quis prender! Adoro gente, movimento. Adoro o ser humano e o seu cérebro.
Eu estava e estou disposta a aprender algo que me faz feliz. E, num curso destes, com um grau de exigência não tão elevado assim, é suposto as pessoas procurarem mais para além dele. É suposto aprenderem convivendo. E quando eu digo convivendo não é a falar de unhas ou de cabelos. É certo que isso também é preciso, mas é incrível como, em quase 2 anos de faculdade, eu não posso dizer que tenha aprendido qualquer coisa que seja com os meus colegas. Nada. Zero. Aliás, a cada dia que passa me apercebo de que ando ali a, quase, desevoluir.
Num curso superior não é suposto só aprenderes nas aulas. Também é suposto aprenderes nos furos. Nos trabalhos de grupo. (Não é à toa que aquilo é um politécnico, apesar de eu achar que muitos dos que ali andam não têm essa noção). É suposto criares ligações com as pessoas, e viveres, experienciares com elas.
Quando estudas com pessoas que encaram o ensino superior como o secundário, em que são obrigadas a ir às aulas mesmo não gostando (e fazerem de aulas interessantes coisas barulhentas, e olharem pra ti com aquela cara de tédio), pessoas que só lá vão para dizerem "Eu vou às aulas, porque eu tenho de passar à cadeira" (helloo! se essa é a tua motivação, o que é que andas aqui a fazer?!)... Enfim, até já me perdi.
Eu passo os dias rodeada de miúdas infantis, com as quais não se consegue ter uma conversa decente, porque mesmo que se incentive a isso, elas olham para ti com aquela cara de ninguém-percebe-o-que-estás-para-ai-a-dizer, ou simplesmente ignoram-te e viram-se umas para as outras para falarem de merda e darem risinhos histéricos.
E depois, como já referi, quando estudas num politécnico, é tudo à base de trabalhos de grupo, o que é giríssimo e até pode ser das coisas mais... eh pah, nem me lembro da palavra...gratificantes!, que há. Ou pelo menos devia ser, porque as pessoas acham aquilo tudo uma seca.
É que é um grande incómodo termos de nos juntar para trabalhar, nas horas em que podíamos estar a apanhar banhos de sol ou a pintar as unhas com as amigas.
Resumindo:
Eu passo os dias sozinha.
Há dias em que me aguento.
Há outros que não...
Hoje não me aguentei... e lá caíram umas lágrimas a caminho do autocarro...
Porque olho à minha volta, e não há ninguém com quem eu me sinta totalmente à vontade para falar destas coisas... Ou porque tenho medo de estar a ser chata, ou egoísta, ou egocêntrica... Enfim.
Estou farta de me tentar contentar com estas pessoas. Estou farta de estar a espera de gente melhor... Estou farta de tentar encontrar gente melhor.
É realmente frustrante.
Talvez fosse mais feliz se fosse como elas.
Mas xiça!, ainda bem que não sou.