Quinta-feira, 3 de Novembro de 2011

Hoje, a partir de uma certa altura, só desejava chegar a casa ou a um sítio sossegado e poder organizar os meus pensamentos.

É o que dá quando se está a maior parte do seu tempo sozinha. Pensa-se muito. Normalmente tento evitar pensar, porque isso só me traz amarguras. Muitas vezes prefiro viver segundo um estado dormente e ideal em que sou feliz. Mas hoje não. Hoje pensei. E foi de tal maneira que, tantos eram os pensamentos que de repente me assaltavam a cabeça, que tive de fazer um enorme esforço para me concentrar em cada um deles e desenvolve-los de forma coerente.

 

Não sei por onde começar, por isso vai ao calhas.

 

Primeiro, não entendo como é que o meu curso, nomeadamente a minha turma, está tão cheia de gente tão oca, e tão desprovida de inteligência. Gente que não consegue fazer um raciocínio de lógica tão básico como os que fazemos diariamente.

 

Depois, não entendo como é que as pessoas vão tirar um curso superior, sem terem a noção de que o estão, realmente, a fazer.

É verdade que o meu curso não é como o do Técnico, que te obriga a disponibilizar todo o segundo do teu dia e todo o neurónio do teu cérebro a trabalhar para aquilo e para mais nada. Aliás, foi por isso que eu saí de lá. Porque não estava disposta a isso.

Porque adoro comunicar, adoro conhecer diferentes pessoas, e aprender com elas! Não me quis prender! Adoro gente, movimento. Adoro o ser humano e o seu cérebro.

 

Eu estava e estou disposta a aprender algo que me faz feliz. E, num curso destes, com um grau de exigência não tão elevado assim, é suposto as pessoas procurarem mais para além dele. É suposto aprenderem convivendo. E quando eu digo convivendo não é a falar de unhas ou de cabelos. É certo que isso também é preciso, mas é incrível como, em quase 2 anos de faculdade, eu não posso dizer que tenha aprendido qualquer coisa que seja com os meus colegas. Nada. Zero. Aliás, a cada dia que passa me apercebo de que ando ali a, quase, desevoluir.

 

Num curso superior não é suposto só aprenderes nas aulas. Também é suposto aprenderes nos furos. Nos trabalhos de grupo. (Não é à toa que aquilo é um politécnico, apesar de eu achar que muitos dos que ali andam não têm essa noção). É suposto criares ligações com as pessoas, e viveres, experienciares com elas.

 

Quando estudas com pessoas que encaram o ensino superior como o secundário, em que são obrigadas a ir às aulas mesmo não gostando (e fazerem de aulas interessantes coisas barulhentas, e olharem pra ti com aquela cara de tédio), pessoas que só lá vão para dizerem "Eu vou às aulas, porque eu tenho de passar à cadeira" (helloo! se essa é a tua motivação, o que é que andas aqui a fazer?!)... Enfim, até já me perdi.

 

Eu passo os dias rodeada de miúdas infantis, com as quais não se consegue ter uma conversa decente, porque mesmo que se incentive a isso, elas olham para ti com aquela cara de ninguém-percebe-o-que-estás-para-ai-a-dizer, ou simplesmente ignoram-te e viram-se umas para as outras para falarem de merda e darem risinhos histéricos.

 

E depois, como já referi, quando estudas num politécnico, é tudo à base de trabalhos de grupo, o que é giríssimo e até pode ser das coisas mais... eh pah, nem me lembro da palavra...gratificantes!, que há. Ou pelo menos devia ser, porque as pessoas acham aquilo tudo uma seca.

É que é um grande incómodo termos de nos juntar para trabalhar, nas horas em que podíamos estar a apanhar banhos de sol ou a pintar as unhas com as amigas.

 

Resumindo:

Eu passo os dias sozinha.

Há dias em que me aguento.

Há outros que não...

Hoje não me aguentei... e lá caíram umas lágrimas a caminho do autocarro...

 

Porque olho à minha volta, e não há ninguém com quem eu me sinta totalmente à vontade para falar destas coisas... Ou porque tenho medo de estar a ser chata, ou egoísta, ou egocêntrica... Enfim.

 

Estou farta de me tentar contentar com estas pessoas. Estou farta de estar a espera de gente melhor... Estou farta de tentar encontrar gente melhor.

É realmente frustrante.

 

Talvez fosse mais feliz se fosse como elas.

Mas xiça!, ainda bem que não sou.



publicado por sony às 20:12 | link do post | Nota

2 Notas:
De Viviane a 2 de Março de 2012 às 17:26
Este é talvez o melhor dos artigos que li nos últimos tempos, obviamente porque retrata a minha situação, aliás, nem eu conseguiria explicar tão bem como me sinto perante toda a pressão que dispara sobre mim vinda da minha pequena vivência enquanto estudante do ensino superior.
Apesar de tudo, não diria que é bom, mas ajuda saber que existem outras pessoas com a mesma frustração que eu própria nutro pelo meu curso e pela insatisfação que ele me provoca. Por vezes os sentimentos são tão fortes e traiçoeiros que parece que existo numa dimensão transcendente digna de um filme de drama.
No fundo todos queremos ser felizes, mas nem sempre nos encontramos no caminho certo para a felicidade, neste caso, ainda não sinto que é na minha área de estudos que me vou sentir realizada.
Quero acreditar que tudo vai mudar ...


De sony a 4 de Março de 2012 às 01:20
Olá Viviane. :) no que me toca a mim, posso dizer-te que são fases. há muito que por aqui não escrevo, mas neste momento estou a atravessar uma fase melhor. talvez a melhor desde que entrei para a faculdade. e quando essas fases más nos assaltam... temos que ter força para as superar, porque as fases boas hão-de vir. :)

se achas que não és feliz no teu curso... isso já é outro problema. a minha boa fase prende-se com a qualidade do semestre que estou a atravessar. adoro o meu curso, só não gosto das pessoas que lá estudam. mas se não te sentes bem onde estás, nem mesmo com o curso, mais vale mudar. muda. muda a tua vida e a tua felicidade enquanto podes. porque depois ficas presa a algo que vais ter que fazer pro resto da tua vida. algo que te deixa infeliz. isso não vale a pena. é dinheiro, tempo e preocupações em vão.

eu mudei, é verdade. mas como disse, apesar de tudo, estou muito mais feliz onde me encontro. :)

força nisso, e obrigada pelo feedback. :)

beijinhos!


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